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Minimizar stress térmico pode aumentar em até 20 quilos a produção de leite

7 Jun 2015

Não existem animais produtores de leite adaptados ao calor. Então, precisamos fazer o aperfeiçoamento técnico nas propriedades rurais para melhorar a produtividade das vacas. A afirmação foi feita pelo professor da Unesp – Universidade Estadual Paulista, Mateus José Rodrigues Paranhos da Costa, durante o 18° Encontro Técnico do Leite, na primeira palestra realizada no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo. O evento é promovido pela FAMASUL – Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, Sindicato Rural de Campo Grande e pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por intermédio da Sepaf – Secretaria de Produção e Agricultura Familiar.

 

Com o tema ‘Bem Estar de vacas leiteiras em sistema de manejo’, Paranhos destacou como devem ser as adaptações para melhorar o stress térmico dos animais. “Minimizando o stress por calor, utilizando sombra artificial, pode-se obter um aumento de 18 quilos na produção de vacas, por ordenha, considerando vacas holandesas, quando associamos a sombra artificial, com ventilação, esse acréscimo passa a ser de 19.2 quilos, podendo chegar a 20 quilos consorciado com a aspersão, ou seja, água borrifada”.

 

O especialista também alerta ao produtor de leite para que fique atento à higiene das vacas, que pode sinalizar o conforto dos animais. “Quando a vaca está muito estressada, por causa do calor, ela procura se sujar, principalmente nas áreas traseiras e no umbre. A avaliação do conforto das vacas deve fazer parte da rotina de cada produtor, tomando em conta o tipo de criação adotado, como o sistema extensivo, semi-intensivo ou intensivo”, esclarece.

 

Segundo o professor, entre os comportamentos inadequados no manejo, o grito e a agressão física são as ações por parte do ordenhador mais preocupantes. “Em pesquisa, comprovamos que os manejos nos fins de semana,  por exemplo, são sempre piores e observa-se uma mudança comportamental no ordenhador e, consequente, na vaca”.

 

Em seguida, a professora do Departamento de Zootecnia da Esalq – USP, Carla Maris Machado Bittar, falou sobre a importância da criação eficiente de bezerras e novilhas para produção de leite. Em sua palestra, Carla destacou a relevância do colostro, primeiro leite produzido pela vaca, na saúde dos bezerros. “É preciso fornecer colostro ao bezerro o mais rápido possível, em volume adequado e de alta qualidade”, destacou.

A importância da lactação inicial no desenvolvimento produtivo também foi abordada pelo professor associado da Universidade Federal de Minas Gerais, Ronaldo Braga Reis. O especialista abordou a realidade do mercado mineiro, considerado como referência no setor lácteo. “O Brasil tem grande experiência com animais mestiços e um amplo progresso com o Girolando. A bezerra quando tem a nutrição adequada desenvolve células mamárias que vão se manisfestar na primeira lactação”.

 

Em uma abordagem técnica sobre os indicadores zootécnicos e a estruturação do rebanho, o palestrante Marcelo de Rezende, diretor da Cooperideal, destacou que em Mato Grosso do Sul os produtores são tradicionais na criação de gado de corte e que o sistema de criação se diferencia muito do sistema de leite. “O volume corpóreo do animal na pecuária de corte, garante renda, enquanto que no gado leiteiro é preciso aumentar a produtividade de cada animal e não o número de vacas na propriedade. Esse é um dos gargalos da produção”.

 

Para o produtor rural do município de Deodápolis, Clóvis Rodrigues Alves, eventos como o Encontro podem modificar a realidade do produtor sul-mato-grossense. “Minha propriedade tem 42 hectares, 50 vacas, com 20 em lactação, eu ordenho em média 350 litros ao dia e eu acredito que se eu levar em consideração as informações que obtive no evento, no sentido de melhorar ração e do bem-estar animal, por exemplo, vou conseguir dobrar este número”.

Durante o primeiro ciclo de palestras do Encontro, o professor de agronegócio da University of Missouri dos Estados Unidos, Fábio Ribas Chaddad, falou das estratégias competitivas para o segmento leiteiro, associando os movimentos do produtor à imagem figurativa do futebol. “A lição de casa é inserir a tecnologia na atividade leiteira, aumentando produção com menos vacas, menos insumos e ração, e se juntar a outros produtores da cadeia para agir de forma cooperada, garantindo assim maior retorno na comercialização do produto”, ressaltou.

 

A segunda palestra do evento, do professor associado da Universidade Federal de Minas Gerais, Elias Jorge Facury Filho, abordou as principais características das enfermidades dos bovinos de leite. “As doenças podem ser infecciosas, metabólicas, como o stress, por exemplo, de carências enérgico-protéica, físicas ou por intoxicação”. Facury destacou a preocupação que se deve ter com o bem-estar animal, “Precisamos observar e respeitar o comportamento animal”.

 

No final do evento foi realizada a mesa redonda com a participação dos palestrantes Marcelo de Rezende, Ronaldo Braga Reis e Elias Jorge Facury, do produtor e diretor do Sindicato Rural de Campo Grande, Wilson Igi, do gerente regional de originação de leite da empresa BRF em Mato Grosso do Sul, Moisés Araújo, com a mediação do analista de pecuária da Famasul, Rodney Guadagnin.

 

Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul - FAMASUL

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