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Saiba por que se paga menos pelo trigo gaúcho

9 May 2017

Apesar do esforço para produzir trigo de ótima qualidade, os agricultores gaúchos se queixam de que recebem menos do que é pago ao Paraná pelo cereal de inverno. De acordo com a Consultoria Trigo & Farinhas, a questão se deve a uma falta de alinhamento da cadeia envolvendo produtores, cooperativas recebedoras do trigo, moinhos e indústrias processadoras.

“É preciso lembrar também que existem 4 tipos básicos de farinhas. Nem todo trigo é igual, porque não produz o mesmo tipo de farinha e o ph tem pouco a ver com o tipo de farinha. Há outras exigências mais importantes, que seriam a força de glúten, a estabilidade, a cor, a relação P/L, por exemplo. Conforme o tipo de farinha que é possível fazer com o trigo produzido, o moinho pode pagar um preço maior ou menor. A variação entre os diferentes pre

 

ços de farinha chega a 41,66% (entre a comum e a de panificação) e 87,5% (entre a comum e a de massa fresca)”, explica o analista sênior da T&F, Luiz Carlos Pacheco.

Veja ainda: Solução para trigo do RS é integrar cadeia

Ele aponta que, quando vai se plantar trigo, deve-se estar engajado numa cadeia, isto é, combinar com um moinho o tipo de farinha que ele precisa e então plantar de acordo com a necessidade dele. “Não adianta plantar qualquer coisa, é preciso plantar o que tem demanda. E a semente não deve ser definida pelo ph, somente, nem mesmo pela sua produtividade, mas pelas qualidades da farinha que vai gerar”, afirma.

Pacheco, que esteve visitando e conversando com agricultores e com executivos de cooperativas e cerealistas no RS nesta semana, conta que os critérios adotados naquele estado para a escolha da semente não são estes: “Cada agricultor escolhe a sua semente livremente, sem imposição nenhuma de quem vai recebê-las e não raro acontecem duas coisas: a) escolhe a mais barata (já que pensa que o trigo não dá lucro mesmo); b) ou usa semente própria”.

“Qual a consequência de deixar cerca de mil agricultores de uma cooperativa ou cerealista escolherem ao seu bel prazer o tipo de semente que irão plantar? Uma grande confusão na hora de receber o trigo! Haverá sementes de altíssima qualidade, misturadas com sementes próprias, de baixa qualidade no mesmo armazém (porque não haverá nunca silos suficientes para armazenar todas as diferentes qualidades)” sustenta.

Pacheco conclui que, como a mistura de sementes não resulta em melhora, mas em piora da qualidade do lote, o preço a ser pago por este trigo será consideravelmente menor do que o pago por sementes selecionadas e segregadas. Ele acrescenta ainda que não basta apenas segregar, mas limitar a liberdade para a escolha da semente a ser plantada. Além disso, o especialista aponta ainda que as empresas não utilizam os instrumentos de comercialização existentes no mercado e associações de produtores não buscam mercados novos, mas somente a ajuda errada do governo.

 

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